segunda-feira, 7 de março de 2016

Deuses e Deusas do Antigo Egito.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sokar

Mulheres contemporâneas e os arquétipos das deusas virgens




Mulheres contemporâneas e os arquétipos das  deusas virgens

Qualidade da percepção como luz nitidamente focalizada

Cada uma das três categorias de deusas (virgem, vulnerável e alquímica) tem uma qualidade característica de percepção. A percepção enfocada exemplifica as deusas virgens.
As mulheres que são como Ártemis, Atenas e Héstia têm a habilidade de concentrar sua atenção naquilo que lhes importa. Elas têm a capacidade de se absorverem naquilo que estão fazendo. No processo de serem enfocadas, elas podem excluir facilmente tudo o que for alheio à tarefa presente ou ao objetivo de longo alcance.
Quando a mulher sabe dar enfoque à solução de um problema ou ao alcance de um objetivo, quando não é interrompida pela carência daqueles que a cercam, não prestando atenção até mesmo às suas necessidades de alimentar-se ou de dormir, ela tem capacidade de enfoque consciente que a conduz a realizações. Trata de tudo o que está fazendo com sua atenção total. Tem mentalidade unidirecionada, a qual permite que ela faça aquilo que decide fazer. Quando se concentra em objetivos exteriores ou qualquer que seja a tarefa à mão – como é característico de Ártemis e Atena – o enfoque é de realização orientada.

Quando o enfoque se volta para o interior, em direção a um centro espiritual – o foco direcional de Héstia – a mulher na qual esse arquétipo é forte pode meditar por longos períodos, sem se perturbar com o mundo que a cerca ou com os desconfortos advindos de ter que se manter numa determinada posição.
Qualidades da deusa virgem são exemplificadas por mulheres que seguem suas próprias inclinações para se tornarem nadadoras competitivas, feministas ativas, cientistas, peritas em estatística, executivas, donas de casa, amazonas; são também exemplificadas pelas mulheres que vão para os conventos ou locais de retiro religioso. Para desenvolverem seus talentos e enfocarem a busca do que têm valor pessoal as mulheres-protótipo da deusa virgem frequentemente evitam o desempenho dos papeis tradicionais das mulheres. Como fazer isso, isto é, como ser coerentes consigo mesmas e se adaptar a viver no mundo dos homens, é o desafio.

Na mitologia, cada uma das deusas virgens encarou um desafio semelhante e desenvolveu uma solução diferente.

Ártemis, a deusa da caça, abandonou a cidade, evitou o contato com, os homens e passou sua vida na selva com seu grupo de ninfas. Sua maneira de se adaptar era separa-se dos homens e de sua influência. Essa maneira é análoga às das mulheres contemporâneas. Elas se unem a grupos de conscientização e se tornam feministas aplicadas em definir a si próprias e suas prioridades; ou trabalham em grupos dirigidos por mulheres e em firmas que estão a serviço das necessidades das mulheres. As mulheres tipo Ártemis também são representadas por individualistas rígidas, que se movem sozinhas e fazem o que lhes interessa, sem amparo pessoal ou aprovação dos homens, como também das mulheres.

Em contraste, Atena, deusa da sabedoria, unia-se aos homens como seus iguais ou como uma supervisora do que eles faziam. Era a pessoa mais calma na batalha e a melhor estrategista. Sua maneira de se adaptar era a identificação com os homens – ela se tornara como um deles. A atitude de Atena tem sido seguida por muitas mulheres que se unem ao mundo das corporações ou que têm sucesso em ocupações exercidas tradicionalmente pelos homens.

Finalmente, Héstia, deusa da lareira, seguiu um modo introvertido de adaptação, marcado pelo retraimento em relação aos homens. Ela se retraiu interiormente, tornou-se anônima e foi deixada sozinha. A mulher que adota esse modo de vida negligencia sua feminilidade para não atrair o interesse masculino, para evitar situações competitivas e viver calmamente, pois ela valoriza e cuida das tarefas diárias ou da meditação que dá sentido à sua vida.
As três deusas virgens não se alteraram por suas experiências com os outros. Elas nunca foram dominadas por suas emoções, nem por outras divindades. Eram invulneráveis ao sofrimento, intocáveis nos relacionamentos e inacessíveis a transformações.

Da mesma forma, quanto mais ajustada estiver a mulher em sua trajetória própria, tanto mais provável também que ela não seja profundamente afetada pelos outros. Esse enfoque pode desliga-la de sua própria vida emocional e instintiva, como também de estabelecer vínculos com os outros. Psicologicamente falando, a menos que ela tenha sido penetrada, ninguém conseguiu desvendar seu íntimo. Ninguém lhe importa realmente, e ela não conhece a intimidade emocional.

Portanto, se a mulher se identifica com o padrão da deusa virgem, ela talvez leve uma vida unilateral e frequentemente só, sem qualquer outra pessoa verdadeiramente significativa. Contudo, embora uma deusa permaneça limitada ao desempenho de seu papel, a mulher pode crescer e modificar-se no curso de sua vida. Embora seja por natureza semelhante a uma deusa virgem, ela pode também descobrir que Hera tem algo a lhe ensinar sobre afinidades compromissadas; pode sentir a comoção do instinto maternal e aprender com Deméter; ou pode repentinamente se apaixonar e descobrir que Afrodite também faz parte de seu ser.

Baseado na obra As deusas e a mulher – Jean Shinoda Bolen
Pesquisas, Lendas e Mitos Alma da Terra, Naturais Medicina do Sagrado Feminino.

sábado, 5 de março de 2016

A Ciência Explica como atuam as Reclamações, Negatividades, Ansiedades enquanto Poluidores Emocionais.



Ciência explica porque reclamar altera negativamente o cérebro

Ouvir alguém reclamar, mesmo que seja você mesmo, nunca fez bem. Algumas pessoas dizem que reclamar pode agir como uma catarse, uma maneira de descarregar emoções e experiências negativas. Mas olhar com mais atenção ao que o ato de reclamar realmente faz para o cérebro nos dá motivos reais para lutar por um estado de espírito mais positivo e eliminar o mimimi de nossas vidas.

“Sinapses que disparam juntas, se mantém juntas”

O cérebro é um órgão complexo que de alguma forma funciona em conjunto com a consciência para criar a personalidade de um ser humano, sempre aprendendo, sempre recriando e se regenerando. É ao mesmo tempo o produto da realidade e o criador da realidade, e a ciência está finalmente começando a entender como o cérebro cria realidade.

Autor, cientista da computação e filósofo, Steven Parton, examinou como as emoções negativas na forma de reclamações, tanto expressas por você mesmo ou vindas de outros, afetam o cérebro e o corpo, nos ajudando a entender por que algumas pessoas parecem não conseguir sair de um estado negativo.

Sua teoria sugere que a negatividade e a reclamação realmente alteram fisicamente a estrutura e função da mente e do corpo.

“Sinapses que disparam juntas, se mantém juntas”, diz Parton, que é uma maneira concisa de compreender a essência da neuroplasticidade, a ciência de como o cérebro constrói suas conexões com base em tudo a que é repetidamente exposto. Negatividade e reclamações irão reproduzir mais do mesmo, como esta teoria destaca.

Parton explica ainda:

By Curtis Neveu - Own work, CC BY-SA 3.0,
By Curtis Neveu – Own work, CC BY-SA 3.0
“O princípio é simples: em todo o seu cérebro há uma coleção de sinapses (responsáveis por transmitir as informações de uma célula para outra) separadas por espaços vazios chamados de fenda sináptica. Sempre que você tem um pensamento, uma sinapse dispara uma reação química através da fenda para outra sinapse, construindo assim uma ponte por onde um sinal elétrico pode atravessar, carregando a informação relevante do seu pensamento durante a descarga.

… toda vez que essa descarga elétrica é acionada, as sinapses se aproximam mais, a fim de diminuir a distância que a descarga elétrica precisa percorrer …. o cérebro irá refazer seus próprios circuitos, alterando-se fisicamente para facilitar que as sinapses adequadas compartilhem a reação química e, tornando mais fácil para o pensamento se propagar. “

Além disso, a compreensão deste processo inclui a ideia de que as ligações elétricas mais utilizadas pelo cérebro se tornarão mais curtas, portanto, escolhidas mais frequentemente pelo cérebro. Isto explica como a personalidade é alterada.

No entanto, como seres conscientes, temos o poder de modificar este processo, simplesmente ao nos tornarmos conscientes de como o jogo universal da dualidade atua no momento em que surgem os pensamentos. Nós temos o poder de escolher criar pensamentos conscientes de amor e harmonia, garantindo assim que o cérebro e a personalidade sejam positivamente alterados.

A empatia e o efeito em grupo

Vamos além do efeito que a reclamação tem sobre o próprio indivíduo. Esta linha de raciocínio científico se estende até a dinâmica entre duas pessoas, explicando cientificamente como a reclamação joga outras pessoas para baixo.

Os “neurônios-espelho” garantem que aprendamos com o meio ambiente, e são também os elementos bioquímicos essenciais da empatia. O cérebro relaciona-se com o que outra pessoa está expressando, e a nossa porção empática responde “experienciando” essa emoção como uma tentativa de se relacionar e compreender o drama externamente.

Assim, quando alguém derrama um caminhão de fofocas, de negatividade e drama em cima de você, você pode ter certeza que está sendo afetado bioquimicamente, diminuindo as suas chances ser feliz. A exposição a este tipo de explosão emocional realmente provoca stress. E já sabemos que o estresse mata, portanto reclamação e negatividade podem estar contribuindo seriamente para a sua morte precoce.

Parton refere-se a essa perspectiva como “a ciência da felicidade”, e este comportamento de reclamação contínua oferece um estudo propício para a ligação entre o poder do pensamento e a capacidade de controle que uma pessoa pode ter sobre a criação de sua realidade tridimensional.

“… Se você está sempre reclamando e menospreza o seu próprio poder sobre a realidade, você não pensa que tem o poder de mudar. E assim, você nunca vai mudar. “
Fontes:

http://www.wakingtimes.com/2016/03/03/science-explains-how-complaining-is-negatively-altering-your-brain/

http://www.apa.org/monitor/oct05/mirror.aspx

http://www.curiousapes.com/the-science-of-happiness-why-complaining-is-literally-killing-you/

Livros para Leitura e Pesquisa do Sagrado Feminino

                                     Livros para Leitura e Pesquisa do Sagrado Feminino





O Anuário da Grande Mãe
Mirella Faur
Editora Gaia
ISBN: 8585351748
O Legado da Deusa:
Ritos de Passagem para as Mulheres.
Mirella Faur
Editora Record
ISBN: 8501065854
Mistérios Nórdicos:
Deuses. Runas. Magias. Rituais
Mirella Faur
Editora Pensamento
ISBN: 9788531514937
Ragnarök - O Crepúsculo dos Deuses
Uma Introdução à Mitologia Nórdica
Mirella Faur
Editora Cultrix
ISBN: 8531611253
Círculos Sagrados
para mulheres contemporâneas
Mirella Faur
Editora: Pensamento
ISBN: 9788531517570
Outros:
A Luz Da Deusa - Rae Beth - Ed.Nova Era
A Deusa - Teresa Moorey - Ed.Pensamento
Mistérios do Feminino - Sonia Maria Milano - Ed.Allinhar
Tendas e Clãs do Sul - Jornadas Femininas de Amor e Cura - Lúcia Torres - Ed.Da Casa
A Idade do Poder. Transformação, Saúde e Beleza para a Mulher - Márcia De Luca - Ed.Tornado
Fiando Palha, Tecendo Ouro. O que os contos de fada revelam sobre as transformações na vida da mulher - Joan Gould - Ed Rocco
Mulheres, Mitos e Deusas. O feminino através dos tempos - Amrtha Robles - Ed.Aleph
O Livro das Deusas - Grupo Rodas da Lua. Ed Publifolha
A Arte de Criar seu Espaço Sagrado - Peg Streep- Ed Bertrand Brasil
A Dança Cósmica das Feiticeiras - Starhawk- Ed Nova Era
A Deusa Interior - Roger J. Woolger e Jennifer Barker Woolger. Ed Cultrix
A Deusa no Escritório - Zsuzsanna E. Budapest
A Deusa Tríplice - Ed. Pensamento
A Influência da Lua na Nossa Vida Diária - Sasha Fenton- Ed Cultrix
A Mulher em Busca da Feminilidade Perdida- Connie Zweig- Ed. Cultrix
A Viagem Mitológica Através da Astrologia - Lucia Scavone
As Deusa e a Mulher- Jean Shinoda Bolen
O Milionésimo Círculo - Jean Shinoda Bolen - Ed Trion
As Deusas, As Bruxas e a Igreja - Mª Nazareth Alvin de Barros
Guia do Crescimento Espiritual da Mulher - Nelly Kaufer- Ed Ágora
Na Casa da Lua-Jason Elias e Katherine Ketchan - Ed Objetiva
O Cálice e a Espada - Riane Eisler
O Caminho de Avalon - Jean Shinoda Bolen
O Corpo da Deusa - Rachel Pollack
O I Ching da Deusa - Barbara Walker
O Livro da Lua – Márcia Matos
O Livro Mágico da Lua - D. J. Conway- Ed Gaia
O Novo Despertar da Deusa - Shirley Nicholson- Ed Rocco
Os Mistérios da Mulher - M. Esther Harding
Mulheres que Correm com os Lobos - Clarissa Pinkola Estes- Ed Rocco

Ciclo Orgânico do Sagrado Feminino: Flor da Lua.

Ciclo Orgânico do Sagrado Feminino:
Flor da Lua.



O ciclo menstrual é como a terra passando pelas estações do ano.O ser Humano e a terra, junto a todos os reinos formam um único organismo.O Sangue enquanto fogo do nosso Organismo.
As estações revelam os períodos da fertilidade, e comunicam os fluxos da vitalidade, onde a cada estação, compreendemos o que nos pede o tempo e o ritmo dessa pulsação.
A Roda da Vida, incia no Outono, onde as folhas estão caindo, nutrindo o solo fecundo, a energia vital começa a recolher-se no caule das árvores, a seiva é preservada como fonte de alimento, ao tempo em que o sol se faz gradativamente mais distante.
O Sagrado Feminino convida a maior introspecção, durante 3 meses do ano, onde as fases da lua, vão desenhando o percurso da energia.
A cada lua nova, a onda do sagrado feminino percorre internamente o momento de mergulhar em sua escuridão abaixo da terra, tal qual semente, disponível a receber todas as propriedades guardadas e tomadas por este solo.
Gosto de compreender que essas raízes que inciam a expansão, encontram-se em um útero sagrado feminino e nessa escuridão estamos sendo novamente concebidas, tal qual as Árvores que um dia já fomos.
Sabemos que além das fases que conhecemos existem as fases intermediárias, entre cada uma, somando 8 faces a cada mês.
Aqui temos muitos dados, que nos apontam o chamado do fluxo da Onda do Amor.
Assim, a cada 3 dias, uma nova força atua em nosso oceano, movendo com nosso organismo feminino, a produção e ação dos Hormônios, humores, temperamentos e emoções.
Na Roda da Vida segundo a Visão das tradições que cultuavam a Lua , sua relação com o Sol, sábios do fluxo da energia sagrada feminina, no Outono se iniciavam os Ciclos da Fertilidade.
Compreendiam que em cada estação era a expressão do Relacionamento do Sol e da Terra, e a Relação do Sol e a Lua Cheia, os plenilúnios.
Dessa Forma, temos um Oráculo Lunar/Solar dentro do Oráculo Maior da Alma da Terra.
Cada Estação guardavam festividades que entoavam as canções das mudanças e relações do homem, mulher com a sua Natureza.
A Alma da Terra oferta suas Naturais Medicinas, revestindo seu corpo vivo com suas sabedorias e capacidades de nutrir a Vida.
Os Fenômenos Naturais atuam intrinsecamente ao seu organismo e os movimentos de fertilidade, onde os Ventos, as Marés, Solstícios e Equinócios contam e recontam como esse Movimento dos Fluxos das Correntes planetárias e Marinhas se dão.
Aqui encontramos um Oráculo entre Rheia e Netuno, a Mãe da Terra e o Pai dos Oceanos e acompanhamos os processos internos emocionais que movem-se pelos seres humanos e seu inconsciente coletivo.
Saber aproveitar os ciclos cósmicos e implementar nossas energias, para que a cura possa ocorrer no nível pessoal, interpessoal e planetário. Os ciclos sãos os Equinócios da Primavera e do Outono e os Solstícios de Verão e Inverno. O fogo era venerado por todos os povos primitivos, pois imita a ação do Sol, em sua luz e calor. Nossos ancestrais primitivos usavam o fogo nos Solstícios do Inverno e do Verão, onde o calor do Sol, começa a crescer e a diminuir.Eles estavam em contato permanente com a Terra. Observavam o Sol, a Lua , as Estrelas, mudanças de estações e as mudanças no meio abiente ao seu redor, os efeitos do clima. Necessitavam conhecer isso para garantir sua sobrevivência. Planejavam suas vidas de acordo com esses ciclos.
Por milhares de anos, nossos ancestrais marcaram as estações pelos festivais. Os festivais mostravam caminhos para a organização da comunidade. Era um momento de festejos, mas o mais importante, era que aprofundavam a ligação das pessoas com o Céu e a Terra. O Sol, a Lua, as Estrelas, as árvores, a colheita e os animais todos eram incluídos na celebração. As pessoas sentiam a ligação com a "Fonte da Vida".
A palavra "Solstício" vem do latim Sol steti, que significa, literalmente, "*Sol permanece imóvel*".
O Solstício divide o ano em duas metades : seis meses de Sol mais intenso seguidos por seis meses de Sol menos intenso. Estes dois subciclos constitui um par de opostos complementares, da mesma forma que luz e trevas, calor e frio, positivo e negativo. Povos antigos sabiam que tudo precisava de um oposto ou complemento para ter significado e vitalidade. A interação de princípios complementares promove o movimento e a mudança.
A palavra " equinox " significa noite igual.Povos antigos viam os equinócios, bem como os solstícios, como momentos importantes do ano, entremeios do ciclo anual de estações.Os equinócios são momentos de equilíbrio e também de tempos de intensa mudança. O nascente e o poente alteram-se rapidamente dia a dia: ao sul, durante o outono, e ao norte, durante a primavera. A maior parte dos povos antigos celebrava o Equinócio de Primavera ou vernal como tempo de nova vida, enquanto o equinócio de outono era, normalmente, um festival comemorativo de colheita.
O fluxo dos solstícios mantêm o equilíbrio entre a Luz e a Escuridão, forma e força, espírito e matéria, num ciclo rítmico que contribui para a integração saudável dos princípios metafísicos em ação.O retorno da saúde após a doença, do entendimento após a estranheza; tudo precisa ser tratado com ternura e cuidado no princípio para que o retorno leve ao florescimento.Cada ciclo, seja um dia, um ano, a duração de toda uma vida humana ou a vida de uma cultura, tem um começo, um meio e um fim e é seguido por outro.A sabedoria consiste em reconhecer o lugar que se deve ocupar em cada ciclo e que tipo de ações (ou restrição de ações) são apropriadas para cada fase.O que pode ser construtivo em determinada época pode ser destrutivo em outra.Sagrado Feminino e os Ciclos Orgânicos da Vida, testemunhando a Natureza, a Mulher recebe as dicas sobre seu organismo, o momento em que está recolhendo-se como o outono, quando  diminui seus movimentos, entrando em hibernação,no Inverno,  retomando sua capacidade sonhadora, de tecer nos universos inconscientes, quando na nova estação.
A primavera se coloca a expandir em uma dança de amor, entre o feminino e o masculino, cheios de Vidas, alquimizam-se, quando no Verão  no poder do fogo sagrado, celebrando a Vida que florescerá no novo ciclo das estações.
Cada Mulher vive seus Ciclos orgânicos distintamente, algumas vivem sua pre-ovulação na Lua Nova, onde os óvulos florem na Lua Minguante.O importante é estar atenta no período em que você ovula, o período que está ávida pela fecundação e disponível a conceber, o período em que você dá a Luz.
Testemunhei em meu organismo que o período que Fecundo meus Projetos conferem com o período que o Masculino que me Habita me fecundou, no mês de Janeiro, em pleno Verão.Então posso perceber que o veiculo de fecundação é o fogo, com o Sol alinhado a Força da Terra, e a Lua com a Força nas Águas.
Percebi que o Período que dou a Luz as meus Projetos, se dá a partir do Mês em que nasci, em plena Primavera.
Assim testemunhei o Genuíno se expressar através de meu Ventre em Outubro, Setembro e Novembro de cada Ano.
E você?
Enquanto mãe, pude testemunhar meu Período Fértil, concebi quatro vezes, e em todas vezes foi em Abril, o que me guiou a perceber que no mês de Abril, atua em meu ser a força do Feminino, cujo o veículo de concepção é o Fogo, com o Sol alinhado ao Fogo e a Lua Alinhada ao Ar.Revelando Organicamente como Funciono.
Compreendo-me enquanto Filha da Terra, que sou uma expressão dela mesma, e cada expressão se dá de forma única.
Neste olhar lanço a inspiração para que encontre seu movimento Orgânico em sincronia com a Terra.
E conte a si mesma em que fase da Lua acontece sua Pré-Ovulação, sua ovulação e sua flor da Lua, assim alinhará seu movimento ao movimento da terra.
As Fases lunares, trazem também a expressão das diferentes fases do Feminino, em sua expressão Menina, Donzela, Mulher e Anciã, na unidade de suas Expressões encontramos em nós mesmas a Deusa.
As Correntes Planetárias são em sua totalidade a expressão de 10.000 faces, quando unidas chamamos de Kundaline Cósmica, e em cada uma das Correntes Planetárias encontramos qualidades, alquimias e forças distintas, bem como a afinidade com uma das Fases da Lua.
A Alma da Terra Guarda a Corrente Kundaline Avó, ela apresenta como característica a eletricidade, existem Kundalines que sintonizam com o Fogo, Água, Ar/Prana, Terra, Madeira, Metal e Eticidade.A Kundaline Avó é a penúltima Corrente a despertar antes de ser unificada na Kundaline Cósmica, aquela que manifesta os Avatares na Terra.
Uma das Correntes Kundaline ativa a Energia do Espírito em cada Chakra, e é responsável pelo alinhamento dos Corpos, Campos de Consciência a sua Origem essencial.
O despertar da Consciência se dá, na medida em que a Kundaline é desperta, e conforme seu maior ou menor alinhamento com o Corpo Causal, mais ou menos saudável é nosso organismo Humano.
Quando nosso Organismo está em harmonia com o organismo da terra, a energia vital está alinhada no corpo físico, e isso se revela pela alta vitalidade, no corpo mental, está ativo e com clareza, no corpo emocional está reconciliado com o Feminino, com a Ancestralidade, com as Relações Maternas, com todas elas, que vieram antes, e aquelas que virão após, a sua existência.
Durante o período antigo paleolítico, o ser humano associava aos Deuses a forma de arquétipos que teciam elos entre o mundo invisível ao visível, tornando mais humano os Deuses e Deusas.Estes de fato representavam as correntes da Kundaline.
Foi por esse caminho que várias civilizações estavam em perfeita sincronia com os espíritos dos elementos, dos Reinos da Terra, com a Natureza, com as Estrelas e suas sabedorias Cósmicas.

Compreendiam que a Fase da Lua Nova era associada aos arquétipos da Menina Deusa, a Fase Crescente, com a Donzela Deusa, a Fase Cheia com a Mulher Deusa, e a Minguante a Fase da Deusa Anciã.

A Face Menina referia-se a Pureza e a Virgindade, a Face Donzela falava das caçadoras, da força guerreira e de fertilidade da Deusa, referindo a Lua Cheia a Mulher em seu aspecto de Amante e Mãe, guarda da Família e do fogo que alimenta, une e ama.
A Lua Minguante, ficou como referencia a Anciã, tecedora de sonhos,a conselheira, doce sábia, referindo-se as Deusas Escuras.

Na ausência da Luz solar se dá a maior presença da Energia Feminina em nosso planeta, quando maior a presença da Luz Solar, maior a presença da Energia Masculina.

Essa Dança entre os Hemisférios Norte e Sul, onde as Estações são opostas, levam a uma contante e Mágica dança entre o sagrado feminino e o sagrado masculino.

Um verdadeiro Mapa para aqueles que buscam a Dança do Amor Integro, entre o Homem e a Mulher que habita seu interior e a escolha da forma com que almeja seu parceiro, para suas relações intimas de amor.

Nas estações onde existe maior ausência da Luz circula em nosso organismo a energia feminina enquanto que na maior presença da Luz, se faz a energia masculina.

Em nosso Interior é Verão e Inverno, é masculino e feminino, e nosso temperamento aciona memórias masculinas mais brandas enquanto o feminino aciona as memórias mais intensas de nosso temperamento.

o Verão contem o Inverno e o Inverno contem o Verão em essência, e assim é com a Primavera e o Outono, nosso Florescer contem nossa Semente em solo fecundo, e nossa Semente contem o natural Florescer.Seguimos cuidando de uma etapa pois colheremos na seguinte o que plantamos ao chão.

Na Lua nova plantamos sementes de raízes profundas, na Lua crescente retiramos todos os obstáculos, cuidamos das ervas daninhas e nutrimos conforme o solicitado pela semente, ao seu crescimento saudável.Na Lua Cheia, comunicamos ao mundo a existência de nosso plantio, e caso já tenhamos em mãos os seus frutos, ofertamos a todos, Olhamos o que não Floresceu, os frutos que não chegaram a vir, a floração que não se fez, para que possamos colher sinais de nosso erros, distrações e ausência de nossa presença, bem como os vícios, de repetição das sabotagens e mesmos boicotes.

Na Lua Minguante, guardamos as sementes, o solo bem cuidado, retirando os frutos caídos, as mudas que morreram, e continuamos zelando pelo vir a ser, dando forma ao nosso Jardim interior, até chegar a Próxima Lua Nova e plantarmos de diferente forma, as sementes que não floresceram e possamos colher, os frutos que nasceram da Floração do primeiro plantio.

É desta Forma que aprendemos a ser os Jardineiros de nossa Alma, Parteiros do Amor.Reconhecendo o Momento de plantar, cultivar, adubar, cuidar e zelar, colher, celebrar a vida, multiplicando as bençãos recebidas, compartilhando, eis o segredo do Exito.

A energia do feminino trás a Vida e a energia do Masculino leva ao mundo, e desse movimento continuo se dá a prosperidade, abundancia e riquezas.



Sahwenya Passuello.

Ritual para a purificação de nossa moradia

Ritual para a purificação de nossa moradia


Com o dia-a-dia, nosso habitat fica impregnado de energias densas, absorvidas no mundo exterior tanto quando pessoas ou ambientes “carregados” entram em contato conosco e permanecem em nossas roupas, objetos e ambientes, como quando criamos ou recebemos formas-pensamentos negativas, que interferem em nossa existência diária sem que as percebamos. Convém fazer este simples ritual de purificação quando sentirmos que há “algo estranho” em nossa vida ou relacionamentos, quando se sucedem acidentes domésticos, doenças inexplicáveis, desavenças, prejuízos financeiros, estado anormal de cansaço, tristeza ou irritação sem motivos. Para esta limpeza, são usados os cinco elementos da Natureza (terra, fogo, ar, água e espírito) da seguinte forma:
1. Prepare uma “vassoura mágica”, amarrando alguns galhos verdes (eucalipto, bambu, fícus), e varra paredes, chão e móveis da casa, iniciando nos fundos e terminando na entrada, mentalizando a retirada das energias negativas (quando terminar, descarte a vassoura);
2. Em seguida abra portas e armários, purificando todos os ambientes e cantos dos quartos com incenso (de preferência, use um que contenha arruda, cânfora e sal grosso), circulando no sentido anti-horário;
3 e 4. Repita o mesmo procedimento com uma vela branca acesa, colocada sobre um prato branco, e com um copo contendo água do mar (ou água com um punhado de sal marinho); ao terminar, toque um sino, visualizando a retirada e o afastamento de todas as energias prejudiciais. Se preferir, ao invés da vela, queimar pastilhas de cânfora em um pote de cerâmica ou uma lata de conserva, colocada sobre um azulejo (deve-se tomar cuidado, pois ela esquenta muito).
5. Como no Universo nada se destrói, apenas se transmuta e é substituído, deve-se atrair energias positivas de proteção, saúde, harmonia, alegria, boa sorte e prosperidade. Para isso, segurando uma imagem sagrada ou um símbolo mágico, percorra todos os cômodos no sentido inverso ao da purificação (da porta de entrada para os fundos), entoando uma oração ou o mantra OM, abençoando cada canto e toda pessoa que mora neste local. Aproveita e coloque atrás da porta um símbolo de proteção. Também pode-se criar um pequeno altar ou um ponto da espiritualidade no canto esquerdo da parede da entrada, colocando-se uma estatueta, imagem, símbolo ou representação da energia divina (divindades, orixás, anjos, santos, amuletos), onde será feita uma oração diária antes de sair de casa, pedindo-se proteção, equilíbrio e sabedoria nas ações e decisões.

Pesquisa, Lendas e Mitos Alma da Terra, textos, artigos e livros referente ao Sagrado feminino/Mirella Faur

Ritual para a purificação da aura

Ritual para a purificação da aura


Durante a Lua minguante, busque um lugar tranqüilo, coloque uma música suave e faça um relaxamento físico e mental. Após algumas respirações profundas procure avaliar o que está “pesando” em sua vida. Algo que já passou, mas que continua vivo em sua mente ou aflige seu coração? Algum hábito ou comportamento que lhe é prejudicial e do qual você quer se libertar? Alguma emoção ou sentimento negativo (mágoa, raiva, culpa, ressentimento, remorso, medo) que está perturbando sua paz interior?
Após silenciar sua mente e aquietar seu coração, permita que sua voz interior lhe “fale”. Escreva em um papel tudo aquilo que estiver percebendo e sentindo, deixando fluir livremente as palavras, sem interferir com argumentos racionais ou lógicos. Coloque o papel em seu altar (ou em um lugar resguardado), acenda uma vela roxa e, antes de dormir, ore e peça à Deusa da Lua Escura que lhe revele outras “sombras” suas que precisam ser transmutadas.
Ao acordar, escreva no mesmo papel algum sonho, sensação ou emoção que esteja guardado em sua memória. Repita o mesmo procedimento pelos próximos três dias. Procure depois um lugar seguro na natureza e cave um pequeno buraco no chão. Deite-se de barriga para baixo e fale dentro do buraco tudo aquilo que escreveu, sentiu, percebeu, dando vazão às suas emoções (chorando, gritando ou até mesmo tossindo e cuspindo). Rasgue o papel em pedaços e enterre-os dentro do buraco, cobrindo-o com folhas secas e fechando-o em seguida.
Peça à Gaia, a Mãe Terra, que receba e “recicle” seu lixo pessoal, transmutando-o em “adubo” para seu fortalecimento e sua proteção pessoal. Conecte-se em seguida com as forças da Natureza – Sol, Lua, planetas, nuvens, vento, chuva, terra, água, árvores, pedras, plantas, animais – e faça algumas respirações profundas, absorvendo a força e o poder que elas têm. Depois, visualize ao seu redor um invólucro de luz branca que se adere à sua aura como um manto de proteção.
Abençoe-se com um símbolo de proteção (pentagrama, Ankh, runa Algiz) e agradeça à Gaia, oferecendo-lhe um punhado de fubá ou algumas sementes em sinal de gratidão. Volte para casa e tome um banho de ervas aromáticas (infusão de folhas de alecrim, manjericão, verbena) com um punhado de sal marinho.
Se preferir, ao invés de realizar este ritual ao ar livre, você pode queimar o papel em casa mesmo, utilizando um caldeirão de ferro, três pastilhas de cânfora e um punhado de ervas secas (arruda, guiné, eucalipto).

Pesquisa, Lendas e Mitos Alma da Terra, textos, artigos e livros referente ao Sagrado feminino/Mirella Faur

CANTO DAS TREZE ÁRVORES

CANTO DAS TREZE ÁRVORES SAGRADAS


Macieira para a donzela,
Carvalho para o senhor,
Aveleira para os sábios,
Azevinho para a espada,
sorveira para proteção,
Betula para um início,
Amieiro para o fogo,
Salgueiro para o coração...
Freixo, o mago.
Hera faz uma coroa,
Videira para o vinho
Quando a taça vem chegando.
Sabugueiro para anciãos,
Na alta floresta.
E o teixo no Samhain,
Para cobrir a todos nós....


Decifrando o Poema:

Macieira para a donzela... (A Macieira sempre esteve ligaga ao sagrado feminino).

Carvalho para o senhor... (Ele é considerado o senhor das matas e a está associado ao poder e a masculinidade).

Aveleira para os sábios... (Os ramos de aveleiras eram muito utilizados para profecias e a árvore ligada à sabedoria).

Azevinho para a espada... (Os guerreiros faziam lanças e outros objetos bélicos utilizando madeira de azevinho).

Sorveira para proteção... (Acreditava-se que a sorveira tinha o poder de quebrar feitiços e protejer dos males).

Betula para um início... (A betula é a primeira árvore do caledário celta).

Amieiro para o fogo... (A madeira era favorita para fazer carvão e muito utilizada para lenha).

Salgueiro para o coração... (A árvore tem forte ligação com o emocional e sentimental).

Freixo, o mago... (Os magos tinham forte predição por varas feitas de madeira de freixo).

Hera faz uma coroa... (As coroas de heras eram feitas para decorar santuários e atrair espiritos da natureza).

Videira para o vinho... (O vinho de uva era muito apreciado, principalmente nas festividades).

Sabugueiro para anciãos... (A própria palavra "elder" significa, também, "ancião" e está fortemente ligada a sabedoria dos antigos).

O teixo no Samhain... (O Samhaim, assim como o teixo, é um sabbá que simboliza o renascimento, uma nova existência. É o sabbá que marca o início de um ano novo para os celtas).


* O Ogham "Muin" pode representar tanto a Amoreira (Bramble) como a Videira (Vine). De acordo com a região celtica, o vinho de amora era mais apreciado do que o vinho feito de uvas.


Cantos das 13 Árvores:
Clique no Link, para ouvir os cantos sagrados, belas melodias.

https://www.youtube.com/watch?v=2j0bFk0UH04









Calendário das Árvores Celta


Beth-Luis-Nion - Calendário das Árvores Celta

Estas são, de acordo com "A Deusa Branca", as árvores que correspondem ao antigo alfabeto e calendário celta. Notemos que todas elas são árvores (entenda-se por árvores qualquer tipo de planta -  pois antigos celtas não faziam a distinção botânica que existe hoje), que se desenvolvem em solo europeu.



24/12 a 20/01 - Bétula - Beth
21/01 a 17/02 - Sorveira - Luis
18/02 a 17/03 - Freixo - Nion
18/03 a 14/04 - Amieiro - Fearn
15/04 a 12/05 - Salgueiro - Saille
13/05 a 09/06 - Pilriteiro - Uath
10/06 a 07/07 - Carvalho - Duir
08/07 a 04/08 - Azevinho - Tinne
05/08 a 01/09 - Aveleira - Coll
02/09 a 29/09 - Videira - Muin
30/09 a 27/10 - Hera - Gort
28/10 a 24/11 - Junco - Ngetal
25/11 a 22/12 - Sabugueiro - Ruis
***23/12 - Não há correspondente porque ocorre fora do ano de treze meses, portanto não seria regido por nenhuma árvore.

Mitos, Lendas Alma da Terra-A partir de textos, artigos e livros Sagrado Feminino


Ritos de Passagem

Ritos de Passagem

A expressão francesa “Rites de Passage” foi adotada por antropólogos e escritores europeus para definir todos os rituais e cerimônias que propiciam a passagem de uma pessoa para uma nova forma de vida ou um novo status social. Segundo o escritor Arnold van Gennep, os ritos de passagem são cerimônias que existiram e existem em todas as culturas, antigas ou contemporâneas, primitivas ou urbanas, acompanhando cada mudança de idade, de lugar, de estado ou de posição social. Infelizmente, nas sociedades modernas estas celebrações foram sendo reduzidas - algumas delas mesmo ignoradas - e outras deturpadas. Vivemos nossas vidas, do berço até o túmulo, com apenas algumas poucas cerimônias marcando nossas transições, como batizado, casamento e enterro.
O nascimento de uma criança era considerado antigamente um ato divino, presenciado, assistido e celebrado apenas por mulheres ( parteiras, sacerdotizas, amigas) com cantos, orações e invocações das Deusas “responsáveis” pela gestação e o parto. Por considerarem a Criação um atributo da Mãe Cósmica, os povos antigos honravam as mulheres como detentoras do dom divino da procriação, por isso o ofício sagrado de trazer uma criança ao mundo era uma função natural e exclusiva das mulheres. As habilidades das parteiras eram ensinadas de mãe para filha, e os preparativos para o parto decorriam em uma atmosfera de harmonia e oração, a mãe amparada por ervas, massagens com óleos aromáticos, cânticos e oferendas para as Deusas. O recem-nascido era apresentado às Divindades e abençoado pelas mulheres presentes, invocando atributos e qualidades para a sua vida (foi daí que se originou a lenda das “fadas madrinhas”).
O próprio ato de concepção era planejado, preparando os pais para se conectarem com o espírito do seu futuro filho através de rituais, mudanças na alimentação, jejuns, purificações e orações. Acreditava-se que ao se comunicarem com o espírito da criança, antes dela nascer, os pais criavam laços afetivos mais fortes, facilitando o relacionamento e aceitação recíproca. Mesmo hoje os nativos norte-americanos perfazem rituais para chamar e se comunicar com o espírito do futuro filho.
A primeira celebração após o nascimento de uma criança era para honrar a mãe (feita pelas mulheres), enquanto os homens festejavam o pai. A cerimônia de “dar um nome” à criança era programada escolhendo os aspectos planetários favoráveis, enterrando o cordão umbelical da criança embaixo de uma árvore frondosa (que então se tornava o guardião e aliado durante os anos de crescimento) e fazendo oferendas às Divindades para abençoar a vida da criança com saúde, segurança, força e abundância.
Os mais importantes ritos de iniciação dos povos antigos eram para celebrar a primeira menstruação das meninas e a entrada dos meninos para o mundo dos homens (marcada pela circuncisão, tatuagens e testes de força e resistência). Por considerarem o sangue menstrual o “sangue da vida” imbuido de “mana” (poder) respeitado e temido pelos homens e oferecido para a Mãe Terra pelas mulheres, procurava-se imitar nos meninos o primeiro sangue das meninas com cortes e flagelações e até mesmo mutilações.
Infelizmente, com o advento das sociedades patriarcais a reverência pela sacralidade do sangue menstrual foi sendo substituida por tabus e superstições, segregando e hostilizando as mulheres, que passaram a ser consideradas impuras, indignas e perigosas (por “roubarem” a força dos homens). As celebrações da primeira menstruação foram substituidas por enclausuramento, defloramentos forçados, proibições e restrições, originando posteriormente os conceitos perniciosos e as sensações “vergonhosas” que assombraram as mulheres ao longo dos últimos três mil anos.
Um rito de passagem totalmente relegado ao esquecimento é a celebração da menopausa.
Os povos antigos não consideravam que a vida da mulher era definida pela sua capacidade de procriar. Pelo contrário: acreditavam que a partir do momento em que o sangue menstrual não mais era vertido, mas retido no corpo da mulher, aumentava a sua sabedoria e os seus poderes psíquicos e mágicos. Ao passar do estágio de Mãe para a de Anciã (manifestação da própria Deusa, além de Donzela) as mulheres adquiriam um “status” especial, tornando-se conselheiras, curadoras, profetisas e orientadoras espirituais da comunidade. Ritualizando este conhecimento reconhecia-se e se honrava este momento importante de transição na vida da mulher, quando ela podia assumir e desempenhar outros papéis além dos maternos e familiares.
Por que então este acontecimento tão fundamental na vida da mulher passou a ser negligenciado e depois negado pela sociedade, pela história e pela religião contemporânea? Segundo estudiosos e pesquisadores esta negação foi consequência dos conceitos e atitudes patriarcais que valorizavam a mulher apenas por sua capacidade reprodutiva ou os seus encantos sexuais. Crenças como a de que a mulher perdia sua feminilidade após a cessação da menstruação refletiam os medos inconscientes das mulheres alimentados pelas atitudes de indiferença ou desprezo dos homens em relação às mulheres idosas.
Os antigos conceitos espirituais sobre o poder mágico da mulher fértil foram deturpados para as caricaturas medievais das bruxas velhas, com pêlos no rosto e poderes malignos. Das milhões de mulheres torturadas e trucidadas pelos abomináveis tribunais da Inquisição, a maioria era de mulheres velhas, já que “o diabo anda por lugares áridos”.
Hoje em dia a expectativa de vida aumentou e há uma percentagem cada vez maior da população formada por mulheres pos-menopausa. Como esta ocorre por volta dos cinquenta anos, as mulheres têm ainda mais um terço de suas vidas a produzir. A sociedade não pode mais se permitir ignorar ou marginalizar as mulheres após terem deixado de ser reprodutivas ou “atrativas”. Mais importante do que reverter os preconceitos masculinos é a necessidade das próprias mulheres emergirem do seu marasmo secular e assumirem atitudes positivas em relação a este rito de passagem - não como um fim, mas o início de um novo ciclo.
Aceitar esta nova fase e celebrá-la através de rituais e cerimônias contribuirá para a libertação dos medos sobre a perda da feminilidade, a decadência física e mental, a entrega à passividade, ao vazio, à depressão. Sentindo-se aceita, honrada e celebrada pelas suas irmãs e companheiras de jornada a mulher saberá sintonizar-se com os atributos da Mulher Sábia, da Conselheira, da Mestra e da Deusa Anciã, compartilhando os maduros frutos de suas experiências e vivências.
Mitos, Lendas Alma da Terra-A partir de textos, artigos e livros Sagrado Feminino e Mirella Faur.

O culto às árvores

O culto às árvores


Na historia religiosa da Europa antiga o respeito e as reverências das árvores desfrutavam de uma relevância especial. As vastas e espessas florestas européias inspiravam temor e respeito e por isso foram escolhidas como locais adequados para cerimônias e rituais. O silêncio, a semi-obscuridade, o jogo de luzes e sombras, os sons misteriosos criados pelo vento ou os movimentos dos animais criavam o cenário perfeito para o intercâmbio entre os homens, os espíritos da Natureza e as divindades.
Os bosques tornaram-se os mais antigos santuários (temenos, em grego) da humanidade, considerados sítios sagrados e invioláveis. Havia punições severas para aqueles que ousassem machucar ou derrubar uma árvore. Quando era absolutamente necessário cortar uma árvore (para construir moradias ou fortificações) eram feitas previamente oferendas para o espírito da Natureza que morava no seu tronco, explicando-lhe a finalidade e pedindo que se mudasse para outro lugar.
Os povos antigos acreditavam que as árvores eram seres vivos e que cada uma tinha um espírito protetor, que diferia de uma espécie para outra. Em alguns países atribuía-se às árvores mais velhas o lugar de refúgio das almas dos anciãos, cujas vozes se faziam ouvir no farfalhar das folhas para aconselhar seus descendentes.
A árvore não somente era considerado um ser vivo, mas era a própria manifestação do Eixo Cósmico que ligava o céu a Terra e que proporcionava o intercâmbio entre os mundos. Nos mitos de várias culturas mencionava-se a Árvore da Vida ou do Conhecimento, cujas raízes penetravam no mundo subterrâneo (morada dos espíritos ancestrais e dos animais de poder), o seu tronco atravessando o mundo dos homens e seus galhos se erguendo para captar as energias do céu e das estrelas. Na tradição xamânica, o xamã se desloca ao longo da Árvore Cósmica buscando as informações e energias necessárias para curar ou aconselhar seus semelhantes no mundo superior, mediano ou inferior.
A transição dos cultos animistas (que veneravam todas as manifestações da Natureza considerando-as imbuídas de energia vital) para as religiões politeístas, trouxe modificações na conceituação das árvores, vistas agora como simples habitat – de maior ou menor duração – dos espíritos da Natureza. Esses espíritos podiam se afastar das suas moradas e ao materializar sua energia espiritual assumiam feições humanas (masculinas ou femininas).
A mitologia grega descreve as diferentes classes dessas divindades menores, protetoras das florestas, campos, vales, rios ou lagos, associando-as com diversos mitos e lendas.
Os espíritos da Natureza com formas femininas foram denominados genericamente de Ninfas. Na verdade existiam subdivisões de acordo com o seu habitat ou suas funções. Podemos enumerar: Dríades (protetoras das florestas de carvalhos), Hamadríades (que ficavam ligadas às árvores até suas destruição), Melíades (guardiãs dos freixos e das crianças abandonadas ou perdidas nas florestas), Oréades (cuja morada era nas montanhas), Napéias (moradoras dos vales e dos campos), Naiades (regentes das fontes e dos rios, muito honradas e veneradas), Nereides (ninfas do mar, aparecendo ora como sereias, ora como mulheres cavalgando cavalos marinhos).
Nos países nórdicos conheciam-se as Ninfas dos freixos, dos teixos, das bétulas, das faias, das macieiras, as Mulheres e Avós das Árvores, as Damas Verdes, as Mães das Florestas, as Nixies e Selkies aquáticas, as Pixies aladas e muitas outras. Os celtas tinham uma grande diversidade de nomes e caracterizações, sendo mencionadas nas inúmeras lendas seres benévolos que apareciam como encantadoras jovens dançando e cantando ou pelo contrário, como entidades malévolas, velhas e peludas, com muitas raízes, corpo coberto de musgo e se comportando de maneira hostil ou ameaçadora. Foram estas representações das Ninfas celtas e escandinavas que persistiram no folclore e nas lendas, como diáfanas fadas ou as bruxas malvadas.
Com o advento das religiões patriarcais, o culto centrado nas divindades femininas – sejam Deusas, sejam espíritos da Natureza – foi diminuído até ser totalmente proibido. Somente nas regiões menos civilizadas e nas tradições nativas foi preservada a maneira respeitosa de tratar as árvores. No início, os templos eram construídos ao ar livre, com suas colunas, abóbadas e a atmosfera sombria e silenciosa. Aos poucos somente as árvores cercando as igrejas e os cemitérios lembravam a antiga conexão e o hábito ancestral de plantar árvores nos nascimentos e nas mortes dos seres humanos. No entanto, a árvore deixou de ser vista como um ser vivo, muito menos como sagrada, usada somente para fins econômicos ou comerciais, sem levar em consideração o equilíbrio ecológico ou energético.
Por mais que tenhamos nos distanciado, no tempo e no espaço, do berço e dos valores dessas antigas tradições, a situação atual das florestas no mundo todo nos incentiva a resgatarmos o antigo respeito pela preservação das árvores e dos seres espirituais a elas ligadas. Mesmo que atualmente apenas as pessoas sensitivas percebam a presença dos espíritos da Natureza, o reino deles continua existindo ao nosso lado. São eles os guardiões e os protetores do reino vegetal que zelam pelo seu habitat e se empenham no crescimento e multiplicação dos seus protegidos. Porém, eles são impotentes frente às moto serras e às queimadas e por isso se afastam cada vez mais da destruidora presença humana.
Compete às pessoas sensíveis e conscientes tomarem medidas preventivas e ativas para impedir que o nosso planeta se torne uma floresta de concreto, sem seres e energias naturais, povoado por seres robotizados.

Mitos, Lendas Alma da Terra-A partir de textos, artigos e livros Sagrado Feminino e Mirella Faur.

Os simbolismos ocultos do ovo

Os simbolismos ocultos do ovo


Na cosmologia da Deusa o ovo é um símbolo universal da criação do mundo pela Grande Mãe, manifestada como uma Deusa Pássaro. Os antigos egípcios consideravam o Sol como o ovo dourado posto pela deusa Hathor, na sua manifestação como A Gansa do Nilo. Nos rituais egípcios o próprio universo era visto como o ovo cósmico criado no início dos tempos.
Os mitos gregos associavam diversas deusas com o ovo cósmico, por exemplo Leto, que chocou um ovo misterioso do qual nasceram Apollo, representando o Sol, e Ártemis simbolizando a Lua. O historiador Hesíodo relata como a Mãe da Noite (o vazio ou abismo cósmico, o espaço infinito), que antecedeu à criação e gerou todos os deuses, criou o Ovo do Mundo e de suas metades surgiram o céu e a Terra. Em outra versão, deste ovo (identificado com a Lua) surgiu Eros (o amor), que colocou o universo em movimento e contribuiu para a proliferação da vida..
Para os hindus o ovo cósmico é posto por um enorme pássaro dourado, enquanto no mito de criação finlandês, a deusa Ilmatar, a Criadora que flutuava sobre as águas primordiais, abrigou sobre seu ventre um ovo posto por um grande pássaro e que, ao quebrar, formou o céu e a Terra.
Os ovos são símbolos da Lua, da Terra, da criação, do nascimento e da renovação. A iniciação nos Mistérios Femininos é vista como um renascimento, análogo ao ato de sair da casca. O círculo, a elipse, o ovo, o ventre grávido são símbolos da plenitude misteriosa da gestação e da criação. O centro de um círculo é um espaço protegido e seguro, semelhante à escuridão do ventre e do ovo.
Inúmeras estatuetas representam as deusas neolíticas associadas com a Lua ou o ovo. No folclore de vários povos europeus existem crenças ligadas ao ovo, considerados símbolos de fertilidade, humana ou animal. Até o século 17 na França, a noiva devia quebrar um ovo na soleira da sua casa para assegurar sua fecundidade. Os antigos eslavos e alemães untavam seus arados antes da Páscoa com uma mistura de ovos, farinha, vinho e pão, para atrair assim abundância para as colheitas. Na Inglaterra antiga, crianças percorriam as casas no Domingo de Ramos pedindo ovos; recusar este pedido era um mau presságio para os moradores.
Usavam-se ovos também nas oferendas para os mortos, colocados juntos deles no caixão ou sobre os túmulos. Os judeus da Galícia consumiam ovos cozidos ao retornarem dos enterros pra retirar as energias negativas. Na Noite de Walpurgis (30 de abril), nas montanhas Harz da Alemanha, consideradas local de reunião das bruxas, os casais enfeitados com guirlandas de flores dançavam ao redor de árvores decoradas com folhagens, fitas e ovos tingidos de vermelho e amarelo.
Na Romênia, Rússia e Grécia ovos cozidos ou esvaziados do seu conteúdo são até hoje decorados com motivos tradicionais, dados de presente ou usados em competições no domingo da Páscoa. Ganhava aquele que conseguia quebrar os ovos dos concorrentes batendo de leve neles, mas sem rachar o seu. Os romanos destruíam as cascas dos ovos que eles tinham comido para evitar que fossem feitos feitiços com eles.
A presença de ovos nos sonhos deu margem a variadas interpretações, os que apareciam inteiros prenunciavam boa sorte, casamento, gravidez ou herança; se fossem quebrados anunciavam brigas, perdas e separações. A divinação com ovos – chamada de ovomancía - era praticada pelas mulheres européias nos Sabbats Samhain, Yule ou Litha, deixando cair em um copo com água a clara e fazendo vaticínios pelas formas criadas.
Resquícios do mito da deusa celta Ostara, padroeira da fertilidade e renovação da Natureza celebrada no Equinócio da primavera, permaneceram nas crenças populares e persistem até os dias de hoje, apesar das pessoas desconhecerem sua origem. Os símbolos de Ostara eram o ovo e a lebre, sem relação entre si, mas ambos significadores de criação e proliferação. Com o passar do tempo, surgiram os contos do Coelho da Páscoa e a sua inexplicável associação para os leigos com a festa cristã e os ovos de chocolate.
Mitos, Lendas Alma da Terra-A partir de textos, artigos e livros Sagrado Feminino e Mirella Faur.

O culto às fontes

O culto às fontes




Quantas vezes já ouvimos ou usamos expressões como “a fonte da juventude ou da sabedoria”, “beber a água da vida” ou ainda, “conectar-se com fonte sagrada”, mas nem sempre paramos para refletir sobre a origem dessas imagens. Poucos de nós sabem que as fontes, as nascentes ou os olhos d’água eram considerados nas religiões arcaicas como símbolos femininos, representando vórtices energéticos de cura e poder mágico, ou passagens ocultas para os mundos subterrâneos – moradas das Deusas Escuras.
“Descer à fonte” (descrição usada nas lendas ou nos contos de fadas) simboliza o acesso ao conhecimento oculto ou aos mistérios do inconsciente. O “mergulho na fonte” representa purificação e renovação, enquanto “beber da fonte” proporciona saúde, juventude, sabedoria ou imortalidade.
Nas culturas antigas, os oceanos, lagos, rios, cachoeiras, fontes e poços tinham divindades tutelares, como deusas, nereides, ondinas, sereias, náiades, ninfas, fadas, ou ainda devas, gênios ou espíritos guardiões do lugar. As regentes das fontes, chamadas pelos gregos de náiades eram representadas como lindas mulheres nuas, ornadas com plantas aquáticas, com longos cabelos prateados ou esverdeados e segurando nas mãos urnas ou taças, de onde brotava a água.
Para reverenciá-las, os gregos cobriam as fontes com flores e folhagens, ofertando-lhes vinho, mel, azeite, leite, moedas, jóias e estatuetas. Acreditavam que certas fontes possuíam a virtude de exaltar a imaginação, por isso, as dedicavam às Musas, e o seu murmúrio inspirou inúmeros poemas e canções. Antes de proferir seus oráculos, a Pitia de Delfos ia se purificar e beber da fonte de Castália, que tinha se originado pela metamorfose de uma linda ninfa, armada do deus Apolo.
Os povos celtas tinham uma reverência especial pelas fontes, existentes em todos os lugares e dedicadas a diversas deusas, com Brighid, Sulis, Boann, Sequana, Sinan, Coventina. Nas datas festivas as fontes eram “vestidas” com flores e oferendas votivas em metal, cerâmica, madeira ou osso, que eram deixadas como agradecimento. Os doentes faziam peregrinações às fontes curativas e amarravam pedaços de suas roupas nas árvores que as cercavam, acreditando que, juntamente com as roupas, deixavam também suas doenças.
Mesmo hoje, na Escócia e na Irlanda, existem inúmeras fontes consideradas milagrosas, dedicadas à deusa Brighid e chamadas de ”cloutie wells”, ou seja, “fontes com trapos”. O nome deve-se à uma verdadeira floresta de panos, amarrados nas árvores que cercam o lugar e cuja egrégora é impregnada do sofrimento daqueles que as procuram para a cura dos seus diversos males .
Com a cristianização, os nomes das deusas padroeiras foram substituídos por santas ou santos, mas apesar da proibição da utilização dos costumes pagãos pela Igreja, as pessoas até hoje costumam amarrar fitas ou deixar moedas e flores “para dar sorte”, sem sequer lembrar-se dos mitos originais.
A mais famosa fonte – entre os milhares existentes na Irlanda e dedicadas antigamente à deusa Brighid (padroeira das artes, magia e cura) – encontra-se na cidade de Kildare. Havia antigamente nos arredores desta cidade um templo de fogo da Deusa, zelado por 19 sacerdotisas, substituído posteriormente por um mosteiro com 19 monjas; atualmente ali existe uma igreja moderna dedicada à Santa Brígida. Apesar de a presença cristã de uma estátua da Santa no local da antiga fonte sagrada, a atmosfera é bem pagã, como atestam as cruzes solares de palha, as fitas coloridas, os presentes amarrados nos arbustos ao redor da fonte e as moedas e cristais ofertados visíveis no fundo do poço. A água brota da terra e passa por baixo de um arco de pedra entre duas rochas chamadas de “os sapatos de Brighid”, já gastas pelos pés de tantos peregrinos.
No entanto, a mais renomada e conhecida fonte celta não possui o nome de Brighid. Localizada na cidade de Glastonbury, na Inglaterra, a Chalice Well (“a Fonte do Cálice”) nasce das entranhas da colina sagrada chamada Tor e é canalizada para um jardim de excepcional beleza. Apesar da quantidade de visitantes diários, o jardim é silencioso e mágico, um verdadeiro lugar sagrado imbuído de poderosa energia curativa, telúrica e cósmica. A fonte vermelha – Red Spring -, cuja cor é devida ao alto teor de sais de ferro é perene, com débito constante, e é considerada o próprio sangue da Deusa. Pelo lado de fora do jardim existe outra fonte, White Spring (nascente branca), de composição calcárea, conhecida nas lendas locais como um caminho para o mundo subterrâneo.
Nos tempos antigos, entre as duas fontes – ambas nascendo sob a colina do Tor – existia um vale coberto por árvores sagradas (teixos e carvalhos), em que os córregos formados pelas águas das fontes branca e vermelha se misturavam para representar o equilíbrio entre a luz e a escuridão, o mundo terreno e o subterrâneo, o consciente e o inconsciente, a vida e a morte, o começo e o fim, o masculino e o feminino. É esta a lição de integração e cura que os peregrinos sinceros podem encontrar, se abrirem as suas mentes e permitirem o suave fluir da sua intuição, ao som das batidas do coração.

Mitos, Lendas Alma da Terra-A partir de textos, artigos e livros Sagrado Feminino e Mirella Faur.

Fiar e tecer, as artes mágicas femininas

                   Fiar e tecer, as artes mágicas femininas





Fiar e tecer são antigas artes mágicas femininas e aparecem nos mitos de várias deusas como expressão dos Seus poderes proféticos, criativos e sustentadores dos ciclos lunares, das estações e da vida humana. Tendo o fuso como símbolo de poder, a Deusa como Fonte Criadora controlava e mantinha a ordem cósmica, os ciclos naturais e a continuidade do mundo. Fiar é um processo cíclico assim como também é a alternância das fases lunares, das estações, da vida e da morte, do início e do fim. Inúmeros mitos descrevem deusas tecendo com fios sutis o céu, o mar, as nuvens, o tempo, os elementos da natureza, os ciclos e os destinos dos seres humanos.
As Senhoras do Destino de várias tradições - conhecidas como as Parcas gregas, as Moiras romanas, as Nornes nórdicas ou as Rodjenice eslavas - tinham como símbolo mágico o fuso, a roda de fiar, os fios e a tessitura. Elas fiavam, mediam e cortavam o fio da vida, entoando canções que prediziam os destinos dos recém nascidos e apareciam como deusas tríplices ou tríades de deusas idosas, envoltas por mantos com capuz ou vestidas de branco, preto ou com idades diferenciadas pelas cores das suas roupas (branco, vermelho, preto).
A confecção de roupas de algum tipo de material tecido fazia parte das atividades femininas desde a descoberta paleolítica de preparação de fios, torcendo pequenos filamentos de fibras naturais. Com este método eram preparadas cordas para amarrar, redes, armadilhas, roupas e cobertas. A descoberta do ato de fiar pode ser comparada em importância nas artes domésticas com a introdução da roda nas atividades agrícolas.
A mais antiga tessitura foi encontrada na estatueta neolítica de Lespugue, datada de 20.000 anos a.C. cuja figura feminina chamada de Vênus usa um “avental” de fios torcidos amarrados com uma tira na cintura. Os fios com as extremidades desfiadas indicam a sua origem vegetal ou animal, modelo semelhante à saia de uma jovem, cuja múmia da Idade de Bronze (14000 a.C.) foi encontrada em um tronco de madeira nos pântanos de Dinamarca e que está exposta atualmente no Museu Real de Copenhague.
Seus ossos desapareceram, mas seus cabelos, roupas e objetos de madeira foram preservados pela acidez do solo. A saia era do tipo envelope, com tiras trançadas e presas na cintura e terminando com uma fileira de nós amarrando conchas e pedrinhas, que tilintavam com o balanço dos quadris ao andar. Acredita-se que este tipo de saia - encontrada também em outros túmulos - não era para o uso comum, possivelmente tinha um significado místico e usada em ritos de passagem (menarca, casamento, gravidez). Resquícios deste tipo de avental e enfeites se encontram nos trajes folclóricos dos Bálcãs e nas saias com franjas das camponesas de Macedônia, cujos bordados têm formas de losangos, reconhecidos símbolos de fertilidade.
Cintos decorados e usados com objetivos mágicos são citados na Ilíade (coletânea de poemas de Homero), como no mito de Hera, que pegou emprestado o cinto mágico de Afrodite (cujos bordados enfeitiçados despertavam desejo e amor) para seduzir Zeus. Cintos longos tecidos de lã vermelha e com franjas nas extremidades - chamados zostra - eram heranças preciosas das mulheres européias, que passavam de mãe para filha e eram usados nos partos difíceis, sendo colocados nos ventres das parturientes, assim como era feito com a reprodução do cinto mágico da deusa celta Brigid (chamado brat) que facilitava a concepção e o parto.
Temos, portanto, exemplos de roupas tecidas com fins mágicos de proteção e fertilidade desde tempos muito remotos, usadas pelas próprias deusas e que podiam ser “emprestadas” em ocasiões especiais. Na Grécia as deusas teciam e encorajavam as mulheres nessa arte mágica, como comprovam as lendas de mulheres sobrenaturais Circe e Calipso, os mitos da deusa Ártemis, Afrodite e principalmente Athena, exímia tecelã, que ensinou a tecelagem para Penélope e Helena e teceu as roupas de Pandora, após ela ter sido criada pelos deuses.
A lã era o principal material usado na Grécia e no Norte europeu, enquanto no Egito as roupas eram feitas de linho e cânhamo, o linho tendo sido usado em Anatólia desde 7000 anos a.C. e destinado para roupas, toalhas e faixas para embalsamar múmias.
No Norte europeu a tecelagem era praticada desde a Idade de Bronze usando lã, cânhamo, linho ou outras fibras, resultando em tecidos de boa qualidade como comprovam os achados dos túmulos e sítios arqueológicos. Durante pelo menos 9000 anos as mulheres passaram os meses de invernos fiando e tecendo e seus tecidos serviam como moeda de troca no intercâmbio com outros países. Somente no século 12 o tear horizontal substituiu o fuso e a roda de fiar e confrarias masculinas foram aos poucos assumindo a tecelagem em grande escala. Porém, as mulheres continuaram a fiar e tecer nas suas casas, mantendo assim vivas as lendas e tradições da tecelagem como uma arte mágica feminina.
Um antigo método de tecer, usando pequenas tábuas furadas no meio e giradas com as mãos, era usado pelas videntes da Irlanda para prever o resultado das batalhas e os cataclismos naturais. O fuso era usado também como arma feminina nas disputas domésticas para se defenderem da violência masculina, além de ser o principal meio para ganhar o seu sustento. Além de roupas e lençóis, as mulheres teciam também tapeçarias para as paredes, com cenas míticas ou de guerra e que adornavam palácios e templos. Essas cenas tecidas pelas mulheres de várias épocas históricas e diversos lugares, não apenas divulgavam os mitos quando expostas em datas festivas, mas influenciaram a sua interpretação histórica posterior.
Na Escandinávia, Alemanha e os países bálticos permaneceram várias superstições e proibições ligadas ao ato de fiar, bem com certos dias dedicados às deusas, quando era proibido fiar, tecer ou costurar, talvez para proporcionar um merecido descanso após a labuta diária. As lendas das deusas Holda, Perchta, Holle, Latvia, Habetrot - que puniam as preguiçosas com seus fusos - na verdade serviam como incentivo para que o trabalho fosse bem feito e prometiam recompensas para aquelas que se esmeravam na sua arte. A deusa padroeira das fiandeiras existiu em várias tradições como a egípcia (Ísis), alemã (Holle, Perchta), basca (Mari), lituana (Laima), italiana (Befana), eslava (Baba Yaga, Mokosh), japonesa (Amaterassu), grega (Ártemis, Athena), nórdica (Frigga), báltica (Saule, Sunna, Rana Neida), além da Rainha das Fadas de França, Espanha, Irlanda, Inglaterra.
As figuras sobrenaturais - que persistiram nas tradições femininas até o século 20 - guardam certas características das antigas deusas da fertilidade, cujas bênçãos eram procuradas por moças e mulheres adultas e cuja ira se direcionava contra aqueles que as exploravam ou maltratavam. As histórias contadas nas longas e escuras noites de inverno preservaram o legado ancestral, que permanece nos contos de fadas e nas imagens das fadas benévolas ou vingativas. Em diversas bracteate de ouro do século 6 encontradas na Alemanha e usadas como amuletos, aparecem figuras femininas segurando objetos ligados ao fiar e tecer, reminiscências das deusas pré-cristãs.
No tempo dos Vikings o predomínio das permanentes batalhas nas lendas associou as atividades de fiar e tecer com os presságios dos desfechos dos combates e dos sinais do destino. Em um poema norueguês do século 11 descreve-se uma cena dramática em que doze Valquírias tecem entranhas humanas sobre um tear feito de espadas e caveiras e cuja canção pressagia o fim funesto de uma batalha e a morte de muitos guerreiros. O poema talvez mesclasse as figuras das Nornes com as Valquírias, que também aparecem em outros mitos com a missão de prever ou determinar o resultado das batalhas e a escolha daqueles que iriam morrer. Ecos das deusas tecelãs existem no cristianismo, como são vistas nas cenas da Anunciação de vários afrescos, onde Maria aparece segurando um fuso e o fio passa iluminado acima da cabeça de Jesus, enfatizando a ligação entre o ato de fiar como símbolo do destino, da vida e do nascimento da criança divina.
O papel importante desempenhado pela tecelagem na vida das mulheres ao longo dos milênios e o processo pelo qual o fio é criado pelo giro do fuso e da roda, seguido do ato de tecer vários padrões em diversas cores, o tornaram um símbolo mítico efetivo na criação da ordem cósmica e na determinação dos destinos humanos. Tecer é um ato criativo e expansivo, fios, cordas, redes e tecidos foram usados como símbolos da criação do mundo e da vida humana. As mulheres antigas o associavam com o nascimento da criança para um futuro desconhecido, um elo evidente entre tecer e parir, o cordão umbilical sendo o elo que ligava a mãe ao filho e que devia ser cortado para que uma nova vida começasse, cujo fio também iria ser cortado pela tesoura das Senhoras do Destino no momento da morte. As esperanças e os medos atávicos das mulheres perante os mistérios da gravidez e do parto as fizeram apelar, honrar e reverenciar a Deusa como a Grande Tecelã da vida e da morte.
A herança folclórica da tecelagem foi ignorada e mal compreendida por muito tempo pelos historiadores homens, apesar de ser a mais valiosa arte feminina até o começo da revolução industrial no século 18, que levou a seu esquecimento no mundo moderno. Nos contos de fada o fuso é mais do que uma ferramenta, ele é o elo mágico entre o mundo sobrenatural e o humano; em várias lendas as moças pediam a ajuda das fadas madrinhas untando o fuso com seu sangue menstrual e depois “pulavam em um poço ou entravam em uma gruta”. Estes misteriosos atos são lembranças dos antigos rituais xamânicos em que se ofertava algo a Deusa e depois se buscava a conexão com um transe, que dava a sensação de cair no vazio ou penetrar no mundo das sombras.
As tecelãs atraiam criaturas sobrenaturais (fadas, elfos, goblins, anões) que as ajudavam obter prosperidade, por isso aquelas que sabiam tecer eram mais cobiçadas como parceiras pelos homens do que as bonitas, pois a sua arte iria garantir a sobrevivência nas épocas difíceis. Por ser o fuso um símbolo feminino e atribuído a várias deusas, criou-se a associação entre fiar, seres sobrenaturais e magia. Os teutões atribuíram às mulheres atributos mágicos devido ao uso dos feitiços e encantamentos tecidos com habilidade nas noites de lua cheia ou nova, enquanto os saxões chamavam suas mulheres de “tecelãs da paz”.
Fontes muito antigas descreviam a deusa anciã como Tecelã e Senhora do Destino, enquanto as Senhoras Brancas se deslocavam nas noites de lua cheia carregando fusos, predizendo a sorte ou dando mensagens às mulheres reunidas nos círculos de menires ou próximo aos locais de poder da terra. As camponesas européias deixavam meadas de lã ou linho nestes lugares junto com oferendas de pão e manteiga; na manhã seguinte o pão tinha desaparecido e os fios tinham sido tecidos. As mulheres da tribo nativa dos sami da Lapônia untavam suas rodas de fiar com sangue menstrual, pedindo as bênçãos da deusa Rana Neida para a produtividade do seu trabalho.
Vários monumentos megalíticos de Bretanha, Inglaterra, Portugal, Bretanha, Espanha, Irlanda, Malta são consideradas obras das Fadas Gigantes, que carregavam as pedras nas suas cabeças enquanto fiavam e cantavam. Muitos destes lugares têm nomes associados às fadas tecelãs ou ao fuso e roda de fiar. Na Irlanda conta-se que várias colinas e ilhas foram cridas pela anciã Cailleach, que levava pedras no seu avental e as espalhava a seu gosto pela terra. Essa ligação entre seres sobrenaturais, menires e locais de poder telúrico levou à sua “demonização” pela igreja cristã, que as denominou de “pedras do diabo”, onde as bruxas teciam suas maldições e feitiços malígnos.
A aranha é vista como uma intermediária entre o céu e a terra, no seu trabalho infinito de fiar, capturar, desfazer e renovar sua teia, por isso ela simboliza a alternância das forças que sustentam a estabilidade cósmica. Jung a considerou símbolo do Self, a parte da personalidade que inclui e integra o subconsciente e o consciente, o claro e o escuro, a luz e a sombra. Em vários mitos a deusa criadora aparece como aranha: A Mulher Aranha dos índios hopis e navajos, as deusas lunares da Indonésia, as guardiãs do tempo e do destino da Índia e a deusa da morte dos Mares do Sul.
Os círculos sagrados femininos – como a Teia de Thea – têm como objetivo principal a formação e sustentação de uma teia feminina de conexão e de reverência à sacralidade feminina, cujos fios estão sendo tecidos, fortalecidos e renovados permanentemente por todas aquelas mulheres que se dispõem celebrar, honrar e servir à Deusa sob Suas inúmeras faces e manifestações. Esse serviço deve ser feito sem qualquer apego aos resultados e frutos dos seus esforços, assim como também as antigas tecelãs cumpriam apenas a sua tarefa ancestral visando o bem estar das suas comunidades.
Para servir precisa abrir o coração com a vontade de contribuir com a beleza, a plenitude e a alegria do trabalho bem feito, em benefício de outras irmãs e da Terra, oferecendo à Deusa a sua gratidão e o seu amor, sem esperar em troca reconhecimento, recompensas ou sucesso, com a certeza de ter cumprido a sua missão espiritual e evolutiva nesta encarnação.

Mitos, Lendas Alma da Terra-A partir de textos, artigos e livros Sagrado Feminino e Mirella Faur.

Doze dias brancos, treze noites sagradas-Roda do Ano

Doze dias brancos, treze noites sagradas




A aproximação do final do ano encena o período mítico de transição do caos para a criação, encontrado em vários mitos. O intervalo entre o solstício de inverno e o Ano Novo era celebrado em várias culturas antigas do hemisfério Norte, desde a Babilônia, como “os doze dias brancos”, caracterizados pela ambigüidade, representando um conflito entre caos e ordem, bem e mal, fim e recomeço, festas e recolhimento.
Os romanos celebravam Saturnalia, festejos populares que invertiam as regras sociais, aboliam as leis morais e as diferenças de classe e enalteciam o lazer e o prazer. Após purificações, o último dia - 25 de dezembro - chamado Juvenalia, era dedicado às crianças, com brincadeiras e presentes, por elas representarem o potencial do novo ciclo.
Nos países nórdicos simbolizava-se a parada da Roda do Ano no solstício (quando por três dias o Sol parece que está “parado”), cessando o trabalho, retirando as rodas dos veículos e decorando-as com galhos de pinheiros e velas. Durante os ”doze dias” as deusas Holda, Berchta ou Perchta (as “Senhoras Brancas”) conduziam suas carruagens de vento e neve, envoltas em neblina branca, abençoando e ativando a fertilidade da terra, presenteando trabalhadores e punindo preguiçosos.
Lendas e contos de fada germânicos descrevem as Weisse Frauen como elfos vestidos de branco, criaturas lindas e encantadoras, que apareciam durante dias ensolarados, penteando seus longos cabelos dourados e conferindo riquezas aos merecedores.As “Senhoras Brancas” ou “Mulheres Elfo” são resquícios dos antigos arquétipos das deusas, que, por terem sido proibidos pelo cristianismo foram esquecidos, sobrevivendo apenas no folclore. Nos países saxões e eslavos, as últimas reminiscências das bênçãos antigas eram representadas por procissões (Perchtenlauf) entre Natal e Epifania, de pessoas com máscaras brancas e pretas, representando Perchten ou Perchta Baba (espíritos bons e maus), para atrair a sorte, afastar azares e despertar a terra.
Nos tempos antigos as mulheres não trabalhavam nos doze dias, mas depois podiam parar apenas no dia de Santa Luzia (13/12) e de Santa Catarina (25/12). Ambas as santas são versões cristãs de antigas deusas romanas. Lucina era a deusa da luz, que aparecia vestida de branco, com uma coroa de velas na cabeça, trazendo comida e calor para os pobres nos meses de inverno. Santa Catarina é a versão cristã de Feronia, a deusa do fogo e da energia vital, celebrada com procissões sobre brasas acesas, para purificação e cura.
Nas antigas tradições da Deusa os “doze dias” eram originariamente ”treze noites sagradas”, celebradas apenas por mulheres, com rituais iniciados na lua negra que antecedia o solstício ou na sua véspera, no auge da escuridão. Era um período mágico de recolhimento e fortalecimento feminino, comparável aos mistérios da Lua Negra, ao retiro nas Tendas Vermelhas, às horas misteriosas que antecedem o nascer do Sol, ao momento da morte ou do nascimento. Neste tempo mágico e poderoso “sementes” de novas possibilidades eram semeadas, no silêncio e na introspecção da escuridão.
Mesmo que o nosso apressado ritmo moderno e urbano não nos permite um dia de reclusão, podemos dedicar algumas horas para um curto retiro do mundo real. Apagar luzes, desligar telefones, ficar em silêncio e escuridão, meditando e orando, nos proporciona a atmosfera mágica para refletir sobre o ano que passou e traçar planos futuros. Após rever o passado e descartar aquilo que não nos serve mais, podemos consultar um oráculo e preparar uma lista dos nossos projetos, desejos e aspirações para nossa vida afetiva, profissional e espiritual. No antigo México as mulheres preparavam nesta data miniaturas daquilo que esperavam realizar, criando o “altar dos desejos”, orando diariamente na sua frente. Podemos nos inspirar neste antigo costume e criar mandalas com sementes, contas, conchas, penas, desenhos, colagens, argila.
Para representar o limiar de um ciclo para outro pode ser escolhida outra data em lugar do tradicional Ano Novo, como a Lua negra ou cheia de dezembro, o solstício, o primeiro dia de janeiro, ou a antiga comemoração da deusa Befana (5 de janeiro, atual Epifania), que marcava a última noite das antigas Treze Noites Sagradas.
O importante é reconhecer e honrar o giro da Roda do Ano, na sua dimensão sagrada, agradecendo e se despedindo das realizações, aprendizados, alegrias e dores do ciclo que se finalizou, visualizando e agradecendo antecipadamente a manifestação dos novos projetos, possibilidades, desejos e idéias do ano que se inicia.

Antigos Cultos à Mãe Terra

Antigos Cultos à Mãe Terra


A origem dos cultos centrados na reverência e gratidão à Terra, como Mãe, é tão antiga quanto os atos de semear, plantar e colher. Entregar sementes à terra para que elas germinassem, crescessem e frutificassem era um ato sagrado que dependia da benevolência e ajuda das forças sobrenaturais. A personificação da Terra como Deusa é universal, tendo sido cultuada como Mãe por todas as antigas culturas, em parceria, às vezes, com seu consorte o Pai Céu ou com suas Filhas. Mas havia uma dualidade no seu culto, pois além de ser vista como Doadora e Provedora dos alimentos, Ela também era a Destruidora encarregada da dissolução dos resíduos vegetais, animais e humanos.
A dinâmica do mundo era baseada nesta união de princípios opostos – vida/morte – que aconteciam no ventre da Terra, revelando como cada nova forma de vida era criada a partir de uma morte anterior. Além de receber os mortos proporcionando-lhes repouso e cura à espera do renascimento, a Terra também abrigava o mundo subterrâneo, regido por divindades ctônicas e habitado pelos seres ancestrais e sobrenaturais. A profusão de figuras femininas oriundas dos períodos paleolítico e neolítico comprovam a ancestralidade dos cultos de fertilidade centradas em uma Mãe, Avó ou Mulher Terra. As crenças e os rituais eram ligados às irregularidades topográficas como montanhas, grutas,fontes, rios ou à diversidade da vegetação, selvagem ou cultivada. As grutas eram ligadas ao mundo subterrâneo, sendo as aberturas com simbolismo uterino que serviam como locais para rituais e celebrações. As montanhas eram consideradas lugares propícios para a comunicação entre o mundo celeste e o subterrâneo.
A natureza e a origem da Terra eram descritas de forma diversa em vários mitos de criação, geralmente surgindo do vazio, caos ou oceano primordial ou formada do corpo de uma divindade morta. Ela ficava apoiada sobre um animal, como a tartaruga, na tradição indígena norte-americana ou no mito chinês da deusa Nu Kwa, ou sustentada por seres sobrenaturais colocados nas quatro direções cardeais como os gnomos do mito nórdico. Alguns mitos nativos descrevem como diversos animais mergulhavam no oceano primordial, de onde traziam lama ou areia para formar a Terra.
Dependendo da nação o animal era o rato aquático, o castor ou a lontra. Nos mitos dos índios norte-americanos o nascimento da humanidade decorre da união entre a Mãe Terra e o Pai Céu. Em outros mitos os seres humanos aparecem de repente por um buraco na terra -sipapu- ou são formados pelas divindades com lama, barro, galhos e penas.
Os terremotos eram atribuídos à mudança da posição da divindade, dos seres sobrenaturais ou dos animais que sustentavam a Terra – como no mito peruano da Pacha Mama. Para pedir clemência os povos antigos faziam sacrifícios de animais, oravam e batiam tambores. Na antiga China o imperador se prosternava perante cinco montículos de terra representando as quatro direções cardeais e o centro e fazia oferendas para a Terra.
O culto mais difundido entre os índios norte-americanos é da Mãe Terra, seguido pelo da Mãe dos Grãos, que aparecia como uma única divindade - a Mãe, múltipla como Suas filhas, as Donzelas do Milho, ou em forma de Três Irmãs, que simbolizavam os alimentos básicos:milho, feijão, abóbora. As colheitas eram as oportunidades para agradecer com oferendas, festividades, danças e orações. Dependendo da localização geográfica e da natureza da colheita, estas cerimônias se estendiam durante vários meses, com danças típicas em forma de rodas ou espirais, mas envolvendo sempre toda a comunidade. Uma dança muito comum na Europa era a dança do pão, considerado o alimento sagrado usado em rituais, como amuleto de proteção ou para a cura. O pão jamais podia ser desperdiçado ou jogado fora, sendo também usado em sinal de boas vindas ou recepção dos noivos entre os povos eslavos e dos Balcãs. Antes de cortar o pão as camponesas romenas o abençoavam e agradeciam à terra pelo “pão de cada dia”.
Mitos, Lendas Alma da Terra-A partir de textos, artigos e livros Sagrado Feminino e Mirella Faur.